Quando a culpa é sempre dela: a engrenagem moral que protege agressores
Existe algo profundamente revelador na velocidade com que parte da opinião pública corre para perguntar “o que ela fez?” sempre que um homem comete um crime brutal dentro da própria família. Antes mesmo de os fatos serem esclarecidos, antes do luto se assentar, antes de qualquer reflexão mínima sobre responsabilidade individual, surge a necessidade quase automática de procurar falhas na mulher: traiu? provocou? abandonou? não cuidou? não vigiou?
Esse movimento não é ingênuo. Ele cumpre uma função social.