Quando a morte vira rotina e cinco tiros não bastam
O sábado amanheceu estranho, como naqueles dias nublados, onde você sabe que a vida vai lhe tirar algo. “Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia”. Me lembro a primeira vez que li um livro que me tirou o sossego, me revirou na cama por noites, e me fez questionar o mundo. José Saramago foi denso, difícil, mas sobretudo — necessário. Não consigo esquecer o primeiro dia que senti dor vendo uma foto. Uma criança de três anos, de blusinha vermelha, estirada ao chão de uma praia qualquer.